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Dois milhões de chineses usam criatividade para protestar e exemplo pode ser usado no Brasil pelos movimentos sociais para acabar com a asfixia mental do bolsonarismo

Já imaginaram a gigante da economia mundial e comunista China com manifestações com mais de dois milhões de pessoas nas ruas para pedir direitos humanos e trabalhistas? Se formos comparar ao emburrecimento mental que ocorre no Brasil, onde trabalhador bate palmas para lei que o força a trabalhar domingo e feriados de graça, que rir das pessoas que perderam o direito de se aposentar e das novas gerações que vão perder o direito de cursar uma universidade pública, a China se mostra bem diferente, inclusive do mundo de cão capitalista quando vai as ruas do país usando o puro e simples sentimento e criatividade.

Como foi noticiado no The Intecept os movimentos sociais que estão na “resistência contra o governo Bolsonaro” podem encontrar em Hong Kong uma fonte de inspiração. O território autônomo da República Popular da China está revolucionando as formas de protestar. Em menos de dois meses, os manifestantes que exigem reformas democráticas do Partido Comunista Chinês conseguiram um feito extraordinário: colocaram um quarto da população nas ruas.

Os chineses usaram a “revolta do guarda-chuva” - uma referência ao objeto que protege não apenas da chuva enquanto serve de escudo contra a violência policial - se tornou em um exemplo de organização, criatividade e solidariedade para o mundo. Toda essa mobilização que chamou a atenção do mundo tem ocorrido desde o dia 16 de junho e no último domingo 18 de agosto tem juntado milhões nas ruas, movimento que lembra muito as “diretas no Brasil - movimento que libertou o Brasil da ditadura sanguinária militar que vivia o país que durou de 1964 até 1985”.

A asfixia mental causada pelo bolsonarismo tem me feito pensar bastante como nós movimentos sociais e defensores da democracia precisam ser dinâmicos para ajudar nas mobilizações que retomem os direitos roubados pela atual republica e essa receita pode estar na criatividade do povo hongkonese que têm se superado dia a dia na inovação criativa de táticas não violentas de desobediência civil, as quais proporcionam proteção e geram identificação e solidariedade social, inclusive inspirado no lendário Bruce Lee, “seja água” é o lema do movimento: “seja forte como o gelo e fluído como a água, agregue-se como o orvalho, mas saiba dispersar como o vapor”.

Os manifestantes têm produzido narrativas poderosas de amor e afeto, mas como no Brasil, a desinformação dos corruptos os acusa de serem vândalos e marginais por boa parte da classe média e autoridades, que montaram um acervo tendencioso de imagens de animes com casais de manifestantes se beijando, mas o disse me disse não pegou, se fosse no Brasil a ignorância teria batido níveis recordes de ódio de classe.

Dois milhões de chineses usam criatividade para protestar e exemplo pode ser usado no Brasil pelos movimentos sociais para acabar com a asfixia mental do bolsonarismo
São quase três meses de manifestações com mais de dois milhões de chineses nas ruas [Foto: Billy H.C. Kwok/Getty Images]

Os meses de junho, julho e o início de agosto foram marcados por tensão. A repressão policial se tornou maior. Os protestos no aeroporto incomodaram as autoridades do partido chinês, que chamaram o movimento de terrorista. Uma manifestante perdeu a visão com um bala de borracha. A polícia migratória, então, começou a checar o celular de quase todos que entravam em Hong Kong, temendo que se juntassem aos protestos. Neste momento, muitos manifestantes afirmam que a luta já não é mais apenas por avanços políticos democráticos, mas fundamentalmente antifascista e anti-polícia.

Como aconteceu em muitos protestos no Brasil pós-Junho de 2013, especialmente no #NãoVaiTerCopa, a opção de confronto com a polícia podia afastar manifestantes e tornar os protestos mais radicais e menores. Esse era o medo de uma das ativistas que entrevistei. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário. Em sua avaliação, a marcha pacífica com quase 2 milhões de pessoas na rua sob chuva forte demonstrou no último domingo que, apesar das muitas disputas internas, o movimento é mesmo como água: tem grande capacidade de agregar e se transformar sem perder sua essência.

Ideias para os movimentos sociais no Brasil ocuparem a s ruas com mais apoio da massa trabalhadora talvez seja interessante ficar de olho em Hong Kong que até agora tem conseguido superar suas diferenças internas, manter a coesão em torno de uma pauta clara e reinventar as formas de ocupar as ruas, os aeroportos e as redes sociais. Criatividade, imaginação e propósito são as expressões de vida inteligente que precisam estar na linha de frente contra a pulsão de morte da ignorância idealizada pelo bolsonarista.

 

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